Meu nome é Ana. Não sei o que significa meu nome, mas sinto-me pequena. Aliás, sou a menor de minhas irmãs. Lembro-me das zombarias na escola. Chegaram a me chamar de anã. Hoje, depois de tantos anos, pergunto-me, ainda, para onde vou. São tantas incertezas. Tenho certeza de que essa insegurança é porque estive cercada de verdades absolutas. Canso-me de pessoas com sistemas de crenças que acabam por nos diminuir, deixando de lado nossas singularidades. Lembro-me, que sempre que quis algo, minha família conservadora, tirava-me. Não eram déspotas. Eram cínicos, faziam pouco caso quando eu tinha uma grande idéia. Ia para o meu quarto, lugar seguro. Meu travesseiro encontrava-se quase sempre molhado. O choro vinha das profundezas de uma dor que eu sabia ser exagerada, mas ainda assim, era grande. Às vezes, eu dormia e sonhava com meu nome. Era capaz de fazer coisas, como dançar, levantar uma das pernas até o alto. Eu era bonita, nos meus sonhos. Vestia-me com primor, era elegante e alta. Pensava ser uma intelectual, uma mulher que os homens respeitavam e admiravam. Acordava com uma sensação que a qualquer momento, ao me levantar da cama, algo iria acontecer, que seria um dia glorioso, que eu me descobriria. Depois do café, sentia-me novamente sem fôlego. Parecia que estava sempre deprimida, com um roupão sobre minha pele alva, sem graça e sem jeito de recomeçar. Olhava pela janela à busca de inspiração. Assistia ao cenário amarelo e azul e nada vinha. Sentia-me também preguiçosa. Lembro que as vozes vinham do fundo, velozes. Minha família, muito elétrica, gritava pelo meu nome, na tentativa de me tirar daquele ostracismo. Tudo em vão. Aquelas pessoas malvadas não se davam conta de como feriam meus sentimentos. Idealizavam uma Ana que jamais eu poderia ser. Idealizavam e tiravam de mim qualquer dignidade. Sentia uma solidão enorme e só me preenchia quando ia conversar com os criados da casa.
18:36 - 21/03/2009
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